quinta-feira, 16 de maio de 2019

PARA ALÉM DO BLACK-POWER: ESTÉTICAS DAS PRÁTICAS E ESCRITAS DE MULHERES NEGRAS NA EDUCAÇÃO POR UMA AFRO-(RE)EXISTÊNCIA

Por Célia Cristo* e Carla Silva**

      A experiência da colonização e posteriormente da escravização foram
atravessadas por lutas, confrontos e pela arte da sobrevivência e todas suas
representações, a liberdade sempre foi esperada. Torna-se relevante pensar numa
(re)existência desses corpos negros por perspectivas outras, uma pedagogia da
sobrevivência nascida das memórias individuias e coletivas, saberes e práticas gerados de
lutas intencionais e propositivas para a preservação da cultura, da história e do sagrado.

      É possível identificar que as representações estereotipadas sobre o que é ser negro
e seu lugar atravessou a barreira do sentimento positivo de pertença racial, ao considerar
que a maioria da população negra no Brasil estão numa situação de vulnerabilidade.
Como se educar para gostar de um corpo que tem sido invisível, excluído e negociado?

      A luta decolonial tem em si várias perspectivas, uma delas é pelo
(re)conhecimento e pelo direito de ser diferente, uma dinâmica que exige caminhar em
outra direção, como nos afirma Walsh (2016), “desaprender a modernidade racional que
me (de)formou, aprender a pensar e agir em suas fissuras e brechas, que converteram
em parte de minha localização e lugar. São parte integral de como e a partir de que lugar
me posiciono” (p. 65). O lugar do privilégio, das imunidades especiais são aproveitados
por algumas pessoas, além dos direitos comuns dos outros, lugares ocupados por
indivíduos que “raramente se revelam inclinados a abrir mão de seus privilégios”
(DOMINGUES, 2011, p. 122).

      A história da população afro-brasileira está marcada pela violência física, simbólica,
epistêmica e estrutural resultado do processo de dominação colonial e a herança da
escravização que se constituiu nas representações e práticas racializadas que se
perpetuaram, valorizando o padrão branco/europeu/moderno, tornando invisível o “Ser
Negro”.

E na medida em que as relações sociais que se estavam
configurando eram relações de dominação, tais identidades
foram associadas às hierarquias, lugares e papéis sociais
correspondentes, com constitutivas delas, e,
conseqüentemente, ao padrão de dominação que se impunha.
Em outras palavras, raça e identidade racial foram
estabelecidas como instrumentos de classificação social básica
da população (QUIJANO, 2005, p.228).

      Essa invisibilidade mascarou a realidade, negando e subalternizando os corpos, a
subjetividade e o conhecimento dos não europeus. A população negra sempre foi afetada
por essas violências e tiveram como acréscimo para sua negação existencial às ausências
de saúde, educação, trabalho e moradia. Nesse sentido, era preciso sobreviver a todas
essas ausências resistindo e promovendo lutas contra o racismo, a dominação, a
escravidão, a exclusão, a(s) colonialidade(s) e discriminações. Pensar numa educação
para além dos privilégios raciais, sociais e econômicos foram possíveis a partir dos
movimentos sociais e dos coletivos em resposta às diferentes demandas por justiça
política, social e educacional.

      Para isso apresento assumindo as “escrevivências” (EVARISTO, 2007), como proposta
metodológica na constituição de uma escrita que compõem experiências e vivências de mulheres
negras, cujos caminhos percorridos para o ato de ensinar, nos espaços oficiais de ensino,
perpassaram e perpassam por diversos desafios, tais como, o enfrentamento e tentativa de
superação do racismo, bem como a subalternidade e invisibilidade de seus corpos. Escrevivências
são narrativas constituídas tendo como lugar de fala a escrita na primeira pessoa.


Para ler o artigo completo CLIQUE AQUI e baixe o PDF.


* Profa. Edu. Básica SME-Duque de Caxias/RJ. Profa convidada da Pós Graduação Estado e
Relações Raciais UCB. Membro da Rede Carioca de Etnoeducadoras Negras e do grupo de
pesquisa Formação de professores, Pedagogias Decoloniais, currículo e interculturalidade:
agendas emergentes na escola e na universidade/UNIRIO. Mestre em Educação/UERJ

** Pedagoga pela UFRJ. Mestrado em andamento em Educação pela UNIRIO, com a pesquisa
“História, Memória E Identidade: Um Estudo da Produção Literária dos Movimentos Negros
no Brasil”. Integrante do Grupo de Pesquisa Perspectivas pós-coloniais/decoloniais, propostas
curriculares e aprendizagens outras e Grupo de Estudos e Pesquisas Formação de Professores,
Currículo (s), Interculturalidade e Pedagogias Decoloniais (GFPPD) e da Rede Carioca de
Etnoeducadoras Negras. Orientadora na disciplina Metodologia da Pesquisa no Curso de EAD/ Pedagogia na UNIRIO.


Referência:

CRISTO, Célia; SILVA, C.A. . Para além do black-power: estéticas das práticas e escritas de mulheres negras na educação por uma afro-(re)existência. In: X COPENE - CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES NEGROS, 2018, Uberlândia-MG. Anais eletrônicos, 2018.






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Esse grupo tem por objetivos entender a transposição/mediação cultural, a diversidade das/nas práticas curriculares e as interseções viáveis entre a escola e a universidade públicas. Mapear aspectos sobre o cotidiano escolar com base nos Estudos Culturais, os Estudos da Educação das Relações Étnico-raciais, da Sociologia das Desigualdades, da Antropologia e dos Estudos do Cotidiano em Educação. Entender e analisar as formas de consolidação de espaços mais interculturais e menos monolíticos na interseção escola-universidade.

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