Por Dilson Miklos*
Escovar a história a contrapelo” (Benjamin,1994,p.225). A proposição
apresentada por Walter Benjamin nas Teses sobre o Conceito de História2 - publicadas
após sua morte, em 1940 – significa a recusa em acreditar na ilusão do progresso. É em nome do materialismo histórico que Benjamin contesta as doutrinas do progresso
ilimitado e contínuo da social-democracia alemã e do comunismo stalinista. A crítica
do progresso é um tema que atravessa o conjunto da obra de Benjamin, desde os seus
escritos de 1914 até os últimos textos no final da década de 1930, imprimindo sua
desconfiança tanto em seus ensaios teológicos quanto em seus artigos culturais ou
políticos. A única exceção, assinala Michel Löwy, são alguns textos dos anos 1933-35,
principalmente o ensaio sobre A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica
(Löwy, 1990).
Benjamin reconhece que o conceito de progresso pode ter tido uma função
crítica em sua origem, mas no século XIX, quando a burguesia conquistou posições de
poder, essa função desapareceu. Benjamin não nega que os conhecimentos e as atitudes humanas progrediram – nas Teses ele coloca essa questão de forma explícita - , o que ele recusa, tanto no livro Passagens (Benjamin, 2006) quanto nos outros
escritos de seus últimos anos, é o mito de um progresso que resulta necessariamente
das descobertas técnicas, do desenvolvimento das forças produtivas e da dominação
crescente sobre a natureza. Ele chama atenção para a utilização bélica das novas
técnicas e para o fato de que as máquinas, presumivelmente aliviadoras do fardo do
trabalho, nada mais fazem que potencializar a exploração dos oprimidos. Benjamin
(2006, p.515) vaticina: “O conceito de progresso deve ser fundamentado na ideia de
catástrofe.”
A crítica filosófica de Benjamin é clara e bem direcionada. Entretanto, onde
encontramos a origem do conceito de modernidade? E em que momento esse
conceito é amalgamado à ideia progresso? Inicialmente é importante distinguir o
significado atribuído aos termos "modernidade" e "modernismo". Krishan Kumar
entende o primeiro como uma designação abrangente que abarcaria todas as
mudanças que constituíram o mundo moderno, intelectual, social e político. Já o
"Modernismo" é percebido como um movimento cultural que surgiu no final do século
XIX, no ocidente, e que elaborou uma reação crítica à modernidade. Os dois termos,
mesmo sofrendo esse processo de diferenciação, certamente estão ligados e nem
sempre é possível ser coerente mantendo-os em separado (Kumar, 1997).
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*Mestre em Ciência da Arte/UFF e Prof.° do Curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ).
Referência:
Miklos, Dilson. Um olhar Benjaminiano dos Cacos e Vestígios da Modernidade e do Modernismo. Revista Virtual En_Fil - Encontros com a Filosofia, v. 3, p. 1, 2014.
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