O artigo que se coloca em movimento de abertura é a expressão da presença,
atuação e resistência do sensível no espaço de formação inicial de professores,
compreendendo que aquela é um campo inserido na grande Arte, mas que também o
extrapola à medida que percebemos se dar a experiência estética na superfície do
mundo. É uma pesquisa em curso no doutorado que se nutre de um cotidiano
institucional capturado e investigado nas suas entrelinhas. Para ler essa geografia
multifacetada e caleidoscópica, dois pensadores – Walter Benjamin e Paulo Freire –,
notadamente “libertários” e inaugurais na produção de ideias e de captura do real,
estarão conosco abrindo clareiras que proporcionem outras conexões, diálogos e
sentidos de uma poiésis de encantamento, descoberta e de resistência aos tempos que
demasiadamente se mostram obscuros.
Escovar a história a contrapelo (BENJAMIN, 1994). A proposição apresentada
pelo pensador marxista alemão nas Teses sobre o Conceito de História, publicadas após
sua morte, em 1940, significa a recusa em acreditar na ilusão do progresso. É contra a
concepção linear do progresso – ideia cara à Filosofia das Luzes – que o messianismo
benjaminiano é dirigido. Em verdade, ele lança a sua crítica à crença confortável num
progresso contínuo, infinito, automático, fundado apenas na acumulação quantitativa.
Pensar, portanto, a educação com Benjamin e Freire é olhar o mundo e os
acontecimentos ao contrário, ler a história e a educação a contrapelo, ou seja, na
direção oposta à determinada.
A tarefa do historiador materialista benjaminiano é garimpar e restaurar
pequenas reminiscências, seguir rastros e revirar escombros, lançar novas luzes que
possam ressignificar o passado a ponto de contar outra(s) história(s). As ideias
encarnadas nesse ensaio seguem o modus operandi do historiador materialista, tal
qual Walter Benjamin o apresenta nas Teses: “O cronista que narra os acontecimentos,
sem distinguir entre os grandes e os pequenos, leva em conta a verdade de nada do
que um dia aconteceu pode ser considerado perdido para a história” (1994, p. 223).
É esta concepção de pensamento que ancora o Projeto Arqueologia de
Saberes, Imagens e Afetos, um grande guarda-sol que abriga as práxis de sensibilidades
que se constituem em atos pedagógicos de resistência ao silenciamento da reflexão,
de valoração da potência instauradora de sentidos e promovedora de subjetividades,
fluxos de imagens e objetos, narrativas escritas e orais construídas no tempo e no
espaço da disciplina Arte e Educação, do curso de Pedagogia, do Instituto Superior de
Educação do Rio de Janeiro (ISERJ).
Para Acesso Do Texto Completo Clique Aqui.
Miklos, Dilson. POÉTICAS DO OLHAR: UMA PRÁXIS PEDAGÓGICA A CONTRAPELO DE CAPTURA DO MUNDO. REVISTALEPH, v. 29, p. 147-163, 2017.
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