Por Miklos Dilson
A princípio Benjamin e Boaventura que estão distanciados, temporal e espacialmente, poderiam
nos sugerir a impossibilidade desse encontro. Entretanto, um olhar mais cuidadoso sobre o deslocamento teórico dos pensadores nos permite re-conhecer fragmentos benjaminianos por entre as conceituações de Boaventura em pleno século XXI. Quais os instrumentais teóricos, filosóficos e sociológicos que nos possibilitam leituras de mundo deslizando pelas alegorias de Benjamin (1984) e as epistemologias do Sul de Boaventura (2009)? Que argumentos nos fornecem para lutar por uma sociedade menos abissal que possa esta, sim, diminuir o fosso que separa grupos sociais hegemônicos e contra hegemônicos? Este texto pretende, exatamente, traçar uma cartografia de possibilidades teóricas em que fazem presentes interseções e tensões entre Benjamin e Boaventura. O pensamento de Walter Benjamin tem nos fornecido pistas sobre o conjunto de transformações que regeram a modernidade em muitos aspectos e os seus ecos se fazem presentes na contemporaneidade.
A ensaística benjaminiana perpassa alguns escritos de Boaventura, quer abordando a sua conceituação sobre História, quer analisando seu pensamento sobre o tempo. É exatamente nessa fissura, na ressonância dessas ideias, que aproximamos o pensador berlinense do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, propondo pensar, através e com eles, uma racionalidade mais cosmopolita que dê conta da diversidade epistemológica do mundo e, por correlato, de sua injustiça epistemológica (SANTOS, 2009). A construção do artigo não apresenta um percurso metódico, linear, mas flânerie. Percorrendo o labirinto de Benjamin e Boaventura, vamos montando um mosaico possível, um diálogo pautado na convergência de olhares e de apropriações em torno da busca de sentidos que ainda possa valer para pensar a história, o tempo, o mundo, o homem, a mulher, as exclusões, os abismos abissais entre as diferentes classes sociais. As injustiças reforçam um modelo de mundo constituído assimetricamente, cujo acesso aos bens materiais e ao conhecimento, nas suas mais diversas expressões, ocorre de forma desumanizadora e aviltante.
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