A tentativa de reinterpretar um contexto entrelaçado pelas formas estabelecidas
de explicação, sobre lugares fixos, para distintos grupos que coexistem, não é algo isolado
e muito menos uma novidade. Causa estranheza que o campo de pesquisa sobre relações
raciais no Brasil, não tenha privilegiado a problematização das identidades brancas e dos
processos de manutenção dos benefícios para os grupos euro descendentes. Refiro-me aos
lugares de prestígio incluindo as esferas onde se desenvolve ciência e, portanto, onde os
conhecimentos se tornam “referências” e consequentemente, são legitimados
socialmente. Importante compreender tais desdobramentos considerando a invenção das
supremacias ideológicas advindas desse modo de forjar as distinções mencionadas por
Pierre Bourdieu (2007) em seu estudo sobre classes sociais. Nessa concepção - mas dando
ênfase para as especificidades do racismo que nos atravessa-as políticas de branquidade
são camufladas e a identidade branca inquestionada pela sua invisibilização.
Acompanhando o percurso de Sueli Carneiro e as parcerias feitas no âmbito do
Geledés - Instituto da Mulher Negra, destacaria o importante trabalho desenvolvido e os
modos de insurgir que a autora aponta em seu texto “Estratégias legais para promover
justiça social” (2000). Deu centralidade ao trabalho de acompanhar e apoiar vítimas de
práticas racistas e excludentes e discorreu sobre como se produziu uma tecnologia de
defesa e de atendimento psicológico, inclusive, para as populações atendidas no instituto,
juntamente com outras instâncias públicas e privadas.
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MIRANDA, CLAUDIA. DAS INSURGÊNCIAS E DESLOCAMENTOS INTELECTUAIS NEGROS E NEGRAS: MOVIMENTOS SOCIAIS, UNIVERSIDADE E PENSAMENTO SOCIAL BRASILEIRO, SÉCULO XX E XXI. Revista ABPN, v. 10, p. 329-345, 2018.
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