O trabalho aqui apresentado está entre as propostas que caminham com o intuito de
alcançar re-aprendizagens sobre as dinâmicas em franca ebulição onde os sujeitos se
realocam pedagogicamente com suas re-inscrições e modos de pertencer. Alinhamo-nos às
teorias críticas latino-americanas e ao “pensamento decolonial” com o foco em outras
pontes que ainda implicam o saber e o poder. Para o campo da educação, faz parte do
compromisso com as suas teorias e ênfases, mapear as experiências curriculares que tem
como fim a formação de distintas gerações de novos profissionais da área. Sob essa mirada,
o escopo e centralidade estão na perspectiva intercultural de currículo, com base nas
abordagens definidas como decoloniais e, consequentemente, de rupturas. Objetivou-se
engendrar alternativas conceituais que justificam a análise de incompletudes curriculares já
destacadas por outros trabalhos de referência que contribuíram para análises mais recentes,
por exemplo, de políticas educacionais em diferentes contextos. Assim, o compromisso de
entender os processos vigentes onde são forjadas as contra-narrativas com as quais nos
identificamos, nos aproximou de outras interseções. São leituras realizadas tendo em conta
a crítica ao ideário da colonialidade, além das estratégias de libertação e de decolonialidade
nos processos de des-aprendizagens/re-aprendizagens da história legitimada como sendo a
história oficial.
Por outra parte, fez sentido indagarmos sobre quais são os grupos interessados na clave
decolonial, conforme o entendimento de Catherine Walsh(2013), ou na recuperação das
memórias coletivas definidas, aqui, como uma contraproposta de interpretação do mundo
da vida, uma proposta decolonial de currículo. A quais grupos interessa a indicação de
abordagens que tem como pano de fundo saberes e conhecimentos intervalares, saberes e
conhecimentos que caminham na direção da pluralidade e que, com esses traços, fomentam
uma visão intercultural e crítica de educação? Em diálogo com esses/as interlocutores/as,
assumimos o desafio de construir atalhos inspirados na desobediência, também epistêmica,
por reconhecermos opções fronteiriças para localizarmos os efeitos dos discursos coloniais
e seus entraves na vida dos/as diferentes sujeitos/as forjados/as a partir desse mosaico que
perpassa as entrelinhas da colonialidade do saber e do poder. Ao enfrentarmos tais
simulacros, acreditamos que esses processos visam contribuir para o preenchimento de pelo
menos duas lacunas importantes dos campos da historiografia e do ensino de história. A
primeira refere-se ao aspecto político de sermos capazes de refletir sobre nossa própria
produção, e aqui nos colocamos entre sujeitos que, como docentes e pesquisadores/as,
participam dessas esferas e podem contribuir na manutenção ou na superação das questões
abordadas dialogicamente. E a segunda tem a ver com o enfoque das pesquisas acadêmicas
que privilegiam análises sobre os currículos da educação (fundamental e média),
entendendo que essas duas questões estão imbricadas.
MIRANDA, Claudia; PIMENTEL, F. G. . Currículo de História na UERJ e na UFRJ: todos os caminhos levam a Europa?. Currículo sem Fronteiras, v. 15, p. 456-478, 2015.
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