sexta-feira, 15 de março de 2019

Currículos Decoloniais e Outras Cartografias para a Educação das Relações Étnico-Raciais: Desafios Político-Pedagógicos Frente a Lei N° 10639.03

Por Claudia Miranda

As conexões entre o regime escravista e a situação de desvantagem
socioeducacional que afeta a Diáspora Africana, na contemporaneidade, são inevitáveis.
São inúmeras consequências em um cenário onde uma das mais significativas heranças
coloniais é a persistência em definir o Estado brasileiro com base no patrimonialismo.

Ao sugerirmos a descolonização do currículo e, outras cartografias para a Educação das
Relações Étnico-raciais, vinculamos as questões sobre um Alien inventado socialmente,
e reproduzido no sistema educacional e, as práticas discursivas sobre o estranho – as
populações negras representadas como à margem dos padrões sociais - que circulam na
esfera pública. A nosso ver, as práticas curriculares adotadas na organização do sistema
educacional, devem ser examinadas como parte de um mesmo construto de inspiração,
um princípio regulador que figura como um desafio para os segmentos que estão
comprometidos com as lutas antirracistas e, por conseguinte, com as lutas anticoloniais.
As dimensões com as quais nos defrontamos em uma agenda teórico-política engajada,
inspiram a recomposição dos argumentos com os quais vimos trabalhando na
perspectiva crítica de educação. Ampliamos, por isso, as análises sobre outras fronteiras
epistêmicas que nos colocam para além dos muros da instituição social projetada para
“educar”: a escola. Por detrás de manchetes de jornais, desenhos animados, novelas e
seriados, pode estar oculto um tipo de investimento que tem merecido o status de
“pedagogia midiática”.

São mutações que fazem emergir propostas mais planetárias para “aprender”.
Ganham centralidade os espaços não-escolares tendo em conta sua vocação para o
diverso, para a multiplicidade de apreensões que nos remete a amplas formas de
negociar nossos saberes. Notadamente, essas ambiências podem ser interpretadas como
ambiências que apresentam amplas condições de recomposição epistêmica, tema que
recuperaremos mais à frente. Ao aceitarmos como relevantes essas esferas não-formais,
poderíamos adotar eixos mais amplos e mais flexíveis para as mediações pretendidas,

no ato de reconhecer e de autossensibilizar-se, no sentido dado por Muniz Sodré (2012).

Para Acesso ao Texto Completo Clique Aqui.


MIRANDA, Claudia. Currículos decoloniais e outras cartografias para a Educação das relações étnico-raciais: desafios político-pedagógicos frente a lei n. 10639.03. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) - ABPN, v. 5, p. 100-118, 2013.
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Sobre

Esse grupo tem por objetivos entender a transposição/mediação cultural, a diversidade das/nas práticas curriculares e as interseções viáveis entre a escola e a universidade públicas. Mapear aspectos sobre o cotidiano escolar com base nos Estudos Culturais, os Estudos da Educação das Relações Étnico-raciais, da Sociologia das Desigualdades, da Antropologia e dos Estudos do Cotidiano em Educação. Entender e analisar as formas de consolidação de espaços mais interculturais e menos monolíticos na interseção escola-universidade.

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